Resolução ANA 275/2025: Por que a Gestão de Perdas Passa a Ser uma Decisão Baseada em Dados, Método e Rastreabilidade
A publicação da Resolução ANA nº 275/2025, que estabelece novas diretrizes para a gestão de perdas no saneamento, representa uma mudança estrutural no setor. Não porque introduz apenas metas ou indicadores adicionais, mas porque redefine o que sustenta a tomada de decisão: dados confiáveis, metodologia clara e rastreabilidade completa.
Durante muitos anos, a gestão de perdas foi tratada como um resultado final. Um número consolidado, apurado periodicamente, que pouco revelava sobre os critérios utilizados, as decisões tomadas ao longo do caminho ou os riscos assumidos. Com a nova norma, essa lógica se altera de forma significativa.
A régua sobe. E o diferencial competitivo deixa de ser apenas “reduzir perdas” para se tornar a capacidade de explicar, sustentar e auditar as decisões que levaram a essa redução.
O que muda na prática com a Resolução 275/2025
A nova regulamentação coloca no centro da gestão aspectos que antes eram tratados de forma fragmentada ou implícita. Entre os principais pontos, destacam-se:
Governança de dados
A norma exige clareza sobre quem mede, como mede, com que frequência e sob quais critérios. A medição deixa de ser um ato isolado e passa a integrar um processo estruturado de governança.
Padronização e consistência
A comparabilidade dos indicadores ao longo do tempo e entre diferentes sistemas e áreas — torna-se fundamental. Dados inconsistentes ou metodologias variáveis comprometem não apenas o indicador, mas a credibilidade da gestão.
Rastreabilidade das decisões
Cada decisão precisa ter uma trilha clara: da leitura em campo até o indicador reportado. A ausência de rastreabilidade passa a ser um risco técnico e regulatório.
Gestão ativa de perdas
As perdas deixam de ser um diagnóstico anual e passam a integrar a rotina gerencial. Isso implica priorização contínua, acompanhamento sistemático e avaliação de impactos operacionais e financeiros.
Perdas não são apenas um tema de engenharia
Um ponto central, ainda pouco discutido, é que a gestão de perdas não se limita à engenharia. Ela exige gestão baseada em evidências.
Sem dados confiáveis, métodos padronizados e histórico consistente, decisões sobre investimentos, intervenções e metas passam a depender de percepções individuais ou análises pontuais. Em um ambiente regulatório mais exigente, isso se traduz em risco.
A Resolução 275/2025 deixa claro que a maturidade da gestão será avaliada não apenas pelos resultados, mas pela qualidade do processo decisório.
As vantagens competitivas de quem se antecipa
Companhias que se estruturarem desde já para atender a essa nova lógica tendem a conquistar vantagens relevantes:
- Decisões mais rápidas e menos baseadas em achismos, apoiadas por dados consistentes.
- Melhor priorização de investimentos, tanto em CAPEX quanto em OPEX, com clareza de impacto e retorno.
- Transparência efetiva para diretoria, conselho e órgãos reguladores, fortalecendo a governança institucional.
Nesse contexto, uma pergunta prática se impõe aos gestores:
Se for necessário justificar amanhã uma decisão relacionada à gestão de perdas, é possível apresentar toda a trilha do dado que embasou essa decisão?
Visão Balance: governança e rastreabilidade como base da decisão
Na visão da Linedata, a gestão de perdas exige uma plataforma capaz de integrar dados operacionais, indicadores e metodologia em uma lógica única de governança.
O Linedata Balance atua como uma plataforma de apoio à decisão para a gestão de perdas ao conectar informações de diferentes sistemas, aplicar regras de padronização e garantir rastreabilidade completa. Cada número passa a ter origem, método e histórico, permitindo que decisões sobre priorização de ações, investimentos e metas sejam tomadas com base em dados confiáveis, auditáveis e consistentes ao longo do tempo.
Mais do que atender à norma, essa abordagem fortalece a maturidade gerencial e prepara as companhias para um ambiente regulatório cada vez mais orientado à evidência.
Conclusão
A Resolução ANA 275/2025 marca uma mudança definitiva na forma como o setor deve encarar a gestão de perdas. O foco deixa de ser apenas o indicador final e passa a ser a qualidade da informação, do método e da decisão.
Companhias que estruturarem governança, padronização e rastreabilidade não apenas atenderão às exigências regulatórias, mas também ganharão eficiência, clareza e segurança na tomada de decisão.
Porque, no novo cenário do saneamento, reduzir perdas é importante.
Mas sustentar tecnicamente cada decisão é essencial.